A Agricultura Familiar é tema deste Blog, escrito e editado pelo jornalista Dirceu Pio, com 67 anos de idade e 45 anos de vivência na produção de notícias. O personagem central e parceiro do jornalista será um jovem “agricultor familiar”, que vive e trabalha no município de Louveira, a 80 quilômetros da maior cidade da América Latina (SP) e localizado na boca de entrada do interior do Estado de São Paulo.

27 de março de 2016

Saiba mais sobre Atílio César Conti

        Pode-se dizer que Odair Conti, o Mirandinha, como é chamado pelos amigos da bocha, é um homem de sorte: seu “filho-homem” saiu vocacionado para o trabalho de agricultor, pois no momento em que começava a fraquejar, pela idade, o pai já tinha quem o substituísse no comando da propriedade. Atílio César Conti, hoje com 30 anos, cuida da propriedade do pai, Odair, com prazer e raro talento.
        Atílio é solteiro, tem o colegial completo, vive com os pais em Louveira; tem apenas uma irmã, Thereza Rogeria Conti Micheletto, 36 anos, casada com Daniel Ricardo Micheletto, 36 anos, também agricultor familiar.
        Atílio é o exemplo eloqüente de que a terra pode oferecer recursos para uma vida confortável da família na terra. A propriedade da família é minúscula: 2 hectares ou um módulo rural,  plantados com uva de mesa e caqui da variedade rama forte.
        Faz cinco anos que Atílio assumiu o comando da propriedade, fez inúmeros progressos mas ainda persegue metas importantes – quer elevar para cem mil reais/ano a renda anual da pequena chácara, que era de 25 mil quando a recebeu do pai.
        Não é nada improvável que a meta dos 100 mil seja batida ainda neste ano (2016) com a introdução, já em agosto, da “poda verde” nos parreirais. É a poda verde que vai permitir a colheita de cinco quilos de uva de mesa (Niágara) por pé. A produção hoje está parada em três quilos por pé, o que não deixa de ser um arrojo para quem recebeu a propriedade com menos de dois quilos por pé.
        - A poda verde vai permitir fazermos duas safras por ano, uma no segundo semestre e outra no fim, por ocasião do Natal, diz Atílio, otimista.
        A poda verde é iniciada logo após a colheita de fim de ano e evita a dormência da uva. O desafio de Atílio é conseguir produtividade máxima em módulo mínimo, de apenas dois hectares.
        Nas mãos de Atílio, a pequena propriedade prosperou muito. Eram 7000 pés de uva quando recebeu do pai, hoje o parreiral encolheu para 4500 pés, mas a produção se manteve a mesma. E foi aberto espaço para 330 pés de caqui da variedade rama forte, de modo que a renda quase que duplicou.
        É simples: o grande insumo que chegou com Atílio chama-se modernidade. Quem for visitá-lo nos dias de semana poderá vê-lo examinando o parreiral, pé por pé, com o celular disponível para consultas em “real time” com o agrônomo, tudo por whatsapp; quando sai, vai muitas vezes em cursos e palestras oferecidos pelos fornecedores de insumos  que desembarcam em Louveira quase toda semana. Atílio não perde uma só “aula”; é ávido por novos conhecimentos que costumam vir de técnicos e vendedores de insumos da Du Pont, Bayer, BASF, Fmc, Simpcam URL, Singenta, Technes, Adama, Agrichem, Rigrantec, e mais algumas linhas de adubação, como Heringer, Nutisafra e Tera Ambiental.
        Atílio e o pai, Odair Conti, com 66 anos, e a mãe, Judite Biguetti Conti, também com 66 anos, tocam a propriedade sem muito sacrifício. As dificuldades se resumem em conseguir mão de obra para colheita: “Ainda esses dias combinei com oito pessoas para virem ajudar na colheita do caqui e apareceu só uma. Ninguém mais quer pegar no pesado”, reclama Atílio.
        A comercialização é fácil e rápida: “ Na hora de vender, é que percebemos a vantagem de estar entre dois grandes pólos consumidores – São Paulo e Campinas. Por aqui, não há fruta para quem quer”, afirma Atílio.
        Atílio diz que não houve crise para a fruticultura: “O preço dos insumos da uva subiu muito, mas conseguimos vender toda a produção com bom lucro”.
        Fornecem a uva e o caqui para compradores fixos e recebem agora um dinheirinho “bem bom” da prefeitura pelo Promif (dar link para texto explicativo). Atílio ainda tem tempo para praticar seu esporte preferido (futebol) e cuidar de seu cavalo marchador.
        Nas horas de folga, entra no Facebook e posta coisas bem interessantes: fotos da movimentação do início da safra de caqui, imagens de um trator em miniatura “arando” um minúsculo pedaço de terra, como exemplos. A melhor postagem, recente, foi de um desenho da Marginal do Tietê, em São Paulo, ladeada por imensos canteiros verdes, numa paisagem que existe só na fantasia dos paulistanos. Atílio aplaudiu o comentário que acompanhou o desenho: seriam assim as marginais paulistanas se valessem para as cidades as mesmas normas ambientais que valem para a agricultura.


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