A Agricultura Familiar é tema deste Blog, escrito e editado pelo jornalista Dirceu Pio, com 67 anos de idade e 45 anos de vivência na produção de notícias. O personagem central e parceiro do jornalista será um jovem “agricultor familiar”, que vive e trabalha no município de Louveira, a 80 quilômetros da maior cidade da América Latina (SP) e localizado na boca de entrada do interior do Estado de São Paulo.

5 de abril de 2016

Milagres da Adubação Orgânica

        O solo compactado ao longo dos anos faz com que a soja, o milho, o trigo, e também a cana-de-açúcar, os citrus, o café, as hortaliças e até as pastagens tenham dificuldade para obter um bom enraizamento, impedindo que nutrientes cheguem às folhas e a toda planta.
        A compactação aumenta os custos diretos e indiretos da produção, já o solo empobrecido precisa de mais e mais adubos químicos para correção. Essa prática tem prejudicado a lavoura ao longo dos anos, mas há uma alternativa: optar pelo adubo biológico.
        A adubação biológica ajuda na redução de custos em vários tipos de cultura, pois o produtor rural tem utilizado a técnica em consórcio com adubação mineral, gerando ganho de produtividade e de custos tanto na adubação, como de aplicação de produtos de controle de ervas daninhas, por exemplo. “Com a adubação biológica tivemos redução de custo equivalente a 20 sacos de soja por alqueire, aproximadamente.
        Nosso balizamento são os produtores vizinhos. Colhemos os dados de produção deles que não usam adubo biológico e tiramos a média”, conta o produtor Linori Lidio Cella, de Toledo, no Paraná. De acordo com o agricultor Adroaldo Girotto, de Palmeira das Missões (RS), o trabalho realmente tem se mostrado eficiente: “Comecei aplicando a adubação biológica em 40% da propriedade há dois anos e agora estamos em 100% devido à qualidade da terra e do aumento da produção”, declarou Girotto.
        O Rio Grande do Sul representa 50 mil hectares de adubação biológica até este momento, segundo Armando Pettinelli, coordenador de uma empresa de produtos biológicos, no estado. Conforme ele, os produtores estão cientes das limitações que o longo tempo de monocultura vêm trazendo para as lavouras. Identificam o principal problema que passa por compactação do solo, pouco enraizamento, pragas de solo, nutrientes retidos e indisponíveis, baixa retenção de água, alto custo de produção, baixa lucratividade.




Criação de carneiro atrás de qualidade

        Atentos às exigências da sociedade, a ovinocultura vem demonstrando um crescente aumento nos últimos anos: o rebanho brasileiro conta atualmente com 14 milhões de cabeças distribuídas em todo o País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento se deve, entre muitos motivos, a um mercado consumidor cada vez mais exigente por produtos de qualidade. A observação é do médico veterinário e especialista em biotecnologia de reprodução, André Rocha, durante palestra realizada nesta sexta-feira (01/04), na Exposição das Tecnologias Voltadas ao Desenvolvimento da Pecuária (ExpoPec), em Porangatu, Goiás.
        O evento é realização da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (SENAR/GO), Sindicato Rural de Porangatu e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), segue até domingo (03/04), com palestras, exposição de maquinários para a área da pecuária, além de animais de alta genética expostos ao longo da feira.
        O especialista fundamentou sua afirmação, destacando que a atividade vive um grande potencial de produção, já que a lida com ovinos oferece ao criador várias opções de produtos para incrementar a renda mensal. Mas, para que isso possa se concretizar, o criador precisa assegurar e se dedicar ao manejo adequado dos mamíferos. “Não basta ter os animais na propriedade sem adequá-los a um sistema correto, oferecendo qualidade, alimentação e conforto para uma boa rentabilidade”, explicou.


Grandes bancos também querem financiar Agronegócio

        Bancos privados e grandes cooperativas de crédito avançam no financiamento ao agronegócio, um dos poucos setores da economia em crescimento – no ano passado, o segmento teve alta de 1,8% no país em relação a 2014, ante queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no mesmo período. Além do Banco do Brasil, responsável por quase 60% do crédito rural do Plano Safra 2015/16, Bradesco, Itaú e Santander têm procurado estreitar as relações com o campo na oferta de linhas para custeio com juros controlados (mais baratos). A participação de instituições privadas no financiamento da produção agropecuária do país cresce num momento de possibilidade de recuo dos volumes subsidiados pelo governo federal em meio ao cenário adverso da economia.
        O objetivo é buscar uma fatia maior de financiamento que ainda está concentrada nas mãos de bancos públicos. Este ano, o Banco do Brasil já liberou R$ 1,4 bilhão para o pré-custeio da safra 2016/17. Já a Caixa liberou cerca de R$ 500 milhões, até fevereiro, de um montante total de R$ 8 bilhões previstos para o crédito rural em 2016. Sozinhas, as instituições públicas concederam R$ 34,9 bilhões em empréstimos com juros controlados para operações de custeio e comercialização, no segundo semestre do ano passado, e atingiram fatia de 62% do total liberado com essas finalidades, ante 52% em igual período de 2014, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).


Nota da CNA

        A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade máxima de representação da agropecuária brasileira, diante do grave impasse político a que fomos arrastados, sente-se no dever de transmitir à sociedade, aos partidos políticos e parlamentares sua profunda preocupação com a marcha dos acontecimentos.
        Todas as famílias brasileiras e todos os setores produtivos da Nação são testemunhas diretas do processo de desmoronamento da economia, que se acentua a cada dia. Há dois anos, a produção se retrai, fábricas e estabelecimentos comerciais fecham suas portas ou recorrem à Justiça para recuperação judicial, milhões de empregos são perdidos e até os programas públicos de proteção social apresentam sinais de esvaziamento. Toda a Nação está vivendo horas sombrias.
        O setor agropecuário vinha resistindo a esta maré depressiva e mantendo seus níveis de produção, de emprego e de vendas ao exterior. Porém, como já advertimos, os efeitos do esfacelamento da economia agora chegam até nós.
        Produtores de todo o País se preparam para tempos muito difíceis e adiam investimentos, prevendo os riscos que se prenunciam no horizonte. A produção cresce na medida em que houver segurança e previsibilidade.
        Por todos esses motivos, fazemos um apelo ao Congresso Nacional para que cada parlamentar tome consciência da gravidade do que estamos vivendo e, em nome do interesse público e do bem-estar de todos os brasileiros, busque o mais rápido possível as soluções legais cabíveis para o retorno da estabilidade econômica e social e a retomada do crescimento do Brasil.

Sobre este Blog

        O “A Voz de Atílio César Conti” quer ser um difusor dos assuntos – todos eles – que interessam aos agricultores familiares. Será, portanto, um espaço permanentemente dedicado à atividade que é considerada a máquina que faz a economia brasileira girar com intensidade, que põe a moeda para circular em cada canto do território brasileiro.
        Criação e desenvolvimento de novas tecnologias, troca de experiência entre agricultores, difusão de eventos que possam interessar aos agricultores familiares, políticas públicas que impactam o setor, soluções criativas para aumento da renda e da produtividade, o que mais? Tudo o que possa interessar aos agricultores será nosso alvo.
        Como, afinal, podemos definir o que é agricultura familiar? O conceito aparece em várias leis recentes que procuram regulamentar o uso do solo rural. Em palavras simples, a agricultura familiar é aquela praticada em propriedades pequenas, no máximo de quatro módulos fiscais (o tamanho do módulo fiscal varia de município para município, mas vai de 2 a 100 hectares, de acordo com a economia local) e é exercida pelos próprios membros da família (na maior parte da mão de obra).

28 de março de 2016

A Agricultura Familiar no Brasil

        Ocupa apenas 24,3% da área agropecuária do Brasil, mas é representada por 84,4% dos estabelecimentos agropecuários ou por 4,36 milhões de propriedades rurais. E mantem nada menos de 14 milhões de pessoas ocupadas, sem contar as ocupações indiretas no comércio, na indústria de alimentos, em frigoríficos, laticínios, etc.
        Da área total ocupada (80,25 milhões de hectares), 45% são de pastagens, 28 % são matas, florestas ou sistemas agroflorestais e 22% são de lavouras, incluindo hortaliças.
        A Agricultura Familiar é responsável por grande parte da produção (70%) de alimentos que chega à mesa dos brasileiros, conforme tabela abaixo:




27 de março de 2016

Saiba mais sobre o PROMIF

        Com cerca de 44 mil habitantes, dividida ao meio pela Rodovia Anhanguera, Louveira só agora ganha ares de cidade moderna, com a expansão dos condomínios residenciais, que tem seus lotes disputados com fervor pelos compradores que não param de chegar de  São Paulo, a capital do estado, a menos de 80 quilômetros dali e por onde se chega de carro ou ônibus pelo melhor sistema rodoviário do país (Anhanguera-Bandeirantes). As famílias (crianças, mulheres, idosos) são trazidas para o interior e os homens continuam firmes no emprego nas grandes cidades, vão e voltam de carro ou de ônibus especiais todos os dias.
        Foram justamente os condomínios residenciais que pressionaram para a rápida consolidação do Promif (Programa Municipal de Incentivo à Fruticultura) em Louveira. A intenção básica do Programa é evitar que a ocupação urbana destrua áreas verdes, nascentes, porosidade do solo, tomando espaço da agricultura familiar.
        O Promif chegou a tempo em Louveira: a cidade conseguiu preservar suas fontes de água natural despoluída, suas matas ciliares e tem, com a fruticultura, uma das paisagens rurais mais encantadoras do país.
        A primeira versão do Promif, ainda restrito a alguns serviços ambientais, surgiu no município de Extrema, no sul de Minas Gerais, quase na divisa com São Paulo. Foi lá que a Prefeitura de Louveira foi buscar inspiração para também implantar o seu Promif, mas já com alguma sofisticação. São pouco mais de 100 propriedades rurais dedicadas à agricultura familiar em Louveira; e 80 delas já aderiram ao programa, enquanto se ouve falar que ele poderá ser adotado por todo o Estado de São Paulo.
        As regras de adesão são simples: os proprietários vão receber R$ 4.000,00 por ano para cada hectare como incentivo à manutenção da propriedade e se obrigam a seguir uma série de normas de preservação, entre as quais estão cuidados rigorosos com o destino das embalagens de defensivos agrícolas; preservação de nascentes, de matas ciliares, tratamento específico do solo. O Promif é, em resumo, uma bela invenção que introduz no município que o adota um ganha-ganha permanente, virtuoso.

Saiba mais sobre Atílio César Conti

        Pode-se dizer que Odair Conti, o Mirandinha, como é chamado pelos amigos da bocha, é um homem de sorte: seu “filho-homem” saiu vocacionado para o trabalho de agricultor, pois no momento em que começava a fraquejar, pela idade, o pai já tinha quem o substituísse no comando da propriedade. Atílio César Conti, hoje com 30 anos, cuida da propriedade do pai, Odair, com prazer e raro talento.
        Atílio é solteiro, tem o colegial completo, vive com os pais em Louveira; tem apenas uma irmã, Thereza Rogeria Conti Micheletto, 36 anos, casada com Daniel Ricardo Micheletto, 36 anos, também agricultor familiar.
        Atílio é o exemplo eloqüente de que a terra pode oferecer recursos para uma vida confortável da família na terra. A propriedade da família é minúscula: 2 hectares ou um módulo rural,  plantados com uva de mesa e caqui da variedade rama forte.
        Faz cinco anos que Atílio assumiu o comando da propriedade, fez inúmeros progressos mas ainda persegue metas importantes – quer elevar para cem mil reais/ano a renda anual da pequena chácara, que era de 25 mil quando a recebeu do pai.
        Não é nada improvável que a meta dos 100 mil seja batida ainda neste ano (2016) com a introdução, já em agosto, da “poda verde” nos parreirais. É a poda verde que vai permitir a colheita de cinco quilos de uva de mesa (Niágara) por pé. A produção hoje está parada em três quilos por pé, o que não deixa de ser um arrojo para quem recebeu a propriedade com menos de dois quilos por pé.
        - A poda verde vai permitir fazermos duas safras por ano, uma no segundo semestre e outra no fim, por ocasião do Natal, diz Atílio, otimista.
        A poda verde é iniciada logo após a colheita de fim de ano e evita a dormência da uva. O desafio de Atílio é conseguir produtividade máxima em módulo mínimo, de apenas dois hectares.
        Nas mãos de Atílio, a pequena propriedade prosperou muito. Eram 7000 pés de uva quando recebeu do pai, hoje o parreiral encolheu para 4500 pés, mas a produção se manteve a mesma. E foi aberto espaço para 330 pés de caqui da variedade rama forte, de modo que a renda quase que duplicou.
        É simples: o grande insumo que chegou com Atílio chama-se modernidade. Quem for visitá-lo nos dias de semana poderá vê-lo examinando o parreiral, pé por pé, com o celular disponível para consultas em “real time” com o agrônomo, tudo por whatsapp; quando sai, vai muitas vezes em cursos e palestras oferecidos pelos fornecedores de insumos  que desembarcam em Louveira quase toda semana. Atílio não perde uma só “aula”; é ávido por novos conhecimentos que costumam vir de técnicos e vendedores de insumos da Du Pont, Bayer, BASF, Fmc, Simpcam URL, Singenta, Technes, Adama, Agrichem, Rigrantec, e mais algumas linhas de adubação, como Heringer, Nutisafra e Tera Ambiental.
        Atílio e o pai, Odair Conti, com 66 anos, e a mãe, Judite Biguetti Conti, também com 66 anos, tocam a propriedade sem muito sacrifício. As dificuldades se resumem em conseguir mão de obra para colheita: “Ainda esses dias combinei com oito pessoas para virem ajudar na colheita do caqui e apareceu só uma. Ninguém mais quer pegar no pesado”, reclama Atílio.
        A comercialização é fácil e rápida: “ Na hora de vender, é que percebemos a vantagem de estar entre dois grandes pólos consumidores – São Paulo e Campinas. Por aqui, não há fruta para quem quer”, afirma Atílio.
        Atílio diz que não houve crise para a fruticultura: “O preço dos insumos da uva subiu muito, mas conseguimos vender toda a produção com bom lucro”.
        Fornecem a uva e o caqui para compradores fixos e recebem agora um dinheirinho “bem bom” da prefeitura pelo Promif (dar link para texto explicativo). Atílio ainda tem tempo para praticar seu esporte preferido (futebol) e cuidar de seu cavalo marchador.
        Nas horas de folga, entra no Facebook e posta coisas bem interessantes: fotos da movimentação do início da safra de caqui, imagens de um trator em miniatura “arando” um minúsculo pedaço de terra, como exemplos. A melhor postagem, recente, foi de um desenho da Marginal do Tietê, em São Paulo, ladeada por imensos canteiros verdes, numa paisagem que existe só na fantasia dos paulistanos. Atílio aplaudiu o comentário que acompanhou o desenho: seriam assim as marginais paulistanas se valessem para as cidades as mesmas normas ambientais que valem para a agricultura.


Saiba mais sobre o jornalista Dirceu Pio

        Ele nasceu dentro de um majestoso cafezal da variedade Sumatra, totalmente florido, em Macucos, distrito de Getulina, pequeno município, entre Lins e Marília, no interior do Estado de São Paulo. Talvez seja por isso que, como jornalista profissional, tomou gosto pela cobertura dos assuntos da agropecuária.
         Em 1982, ano do Plano Cruzado, como repórter do Jornal da Tarde, viajou mais de dez mil quilômetros, de carro, por dentro de fazendas de gado, para descobrir o que havia acontecido com o “boi gordo” que desaparecera dos frigoríficos e açougues impondo ao pais sua maior crise de abastecimento de carne bovina da história.
        Dirceu Pio conseguiu provar que o melhor remédio para derrubar as grandes mentiras construídas pelo governo é o jornalismo investigativo. O pecuarista não reteve boi gordo no pasto como brandia o governo: com o poder aquisitivo subitamente elevado, a população comeu no primeiro semestre toda a carne que serviria para formação do estoque regulador no segundo semestre.
        Dirceu Pio viveu 16 anos no Paraná de onde partia para muitas missões investigativas, como aquela vez que conseguiu provar, pelo jornal O Estado de São Paulo, uma das maiores fraudes do IBC, extinto Instituto Brasileiro do Café, na compra de café de qualidade inferior a preço de café de ótima qualidade. Para isso, Dirceu Pio levou 80 amostras de café colhidas nos armazéns do IBC em Londrina para exame por empresa especializada em Santos. Pio acompanhou os exames pessoalmente, durante mais de vinte dias, e alem de constatar a fraude, ainda aprendeu a provar café. A experiência lhe valeu como um curso de barista numa época em que ninguém conhecia tal especialidade.
        Mais tarde, como diretor da Agência Estado, assumiu a coordenação de um produto informativo dirigido a agricultores – o Agrocast – e sob a batuta do mestre Evaristo Miranda, da Embrapa, acompanhou a criação de um sofisticado serviço de “probabilidade de chuva” que serviu durante muito tempo de bússola para irrigantes e cooperativas agrícolas de todo o país.

        Dirceu Pio mora em Vinhedo (cidade vizinha a Louveira), é casado, pai de quatro filhos e avô de três netas. Seu esporte preferido é a bocha: conheceu Atílio César Conti na cancha de bocha da Fazenda Barreiros, da família Mesquita,em Louveira. Foi ali, entre uma partida e outra, que os dois arquitetaram o lançamento deste blog.