Pode-se dizer que Odair Conti, o
Mirandinha, como é chamado pelos amigos da bocha, é um homem de sorte: seu
“filho-homem” saiu vocacionado para o trabalho de agricultor, pois no momento
em que começava a fraquejar, pela idade, o pai já tinha quem o substituísse no
comando da propriedade. Atílio César Conti, hoje com 30 anos, cuida da
propriedade do pai, Odair, com prazer e raro talento.
Atílio é solteiro, tem o colegial
completo, vive com os pais em Louveira; tem apenas uma irmã, Thereza Rogeria
Conti Micheletto, 36 anos, casada com Daniel Ricardo Micheletto, 36 anos,
também agricultor familiar.
Atílio é o exemplo eloqüente de que a
terra pode oferecer recursos para uma vida confortável da família na terra. A
propriedade da família é minúscula: 2 hectares ou um módulo rural,
plantados com uva de mesa e caqui da variedade rama forte.
Faz cinco anos que Atílio assumiu o
comando da propriedade, fez inúmeros progressos mas ainda persegue metas
importantes – quer elevar para cem mil reais/ano a renda anual da pequena
chácara, que era de 25 mil quando a recebeu do pai.
Não é nada improvável que a meta dos 100
mil seja batida ainda neste ano (2016) com a introdução, já em agosto, da “poda
verde” nos parreirais. É a poda verde que vai permitir a colheita de cinco
quilos de uva de mesa (Niágara) por pé. A produção hoje está parada em três
quilos por pé, o que não deixa de ser um arrojo para quem recebeu a propriedade
com menos de dois quilos por pé.
- A poda verde vai permitir fazermos
duas safras por ano, uma no segundo semestre e outra no fim, por ocasião do
Natal, diz Atílio, otimista.
A poda verde é iniciada logo após a
colheita de fim de ano e evita a dormência da uva. O desafio de Atílio é
conseguir produtividade máxima em módulo mínimo, de apenas dois hectares.
Nas mãos de Atílio, a pequena
propriedade prosperou muito. Eram 7000 pés de uva quando recebeu do pai, hoje o
parreiral encolheu para 4500 pés, mas a produção se manteve a mesma. E foi
aberto espaço para 330 pés de caqui da variedade rama forte, de modo que a
renda quase que duplicou.
É simples: o grande insumo que chegou
com Atílio chama-se modernidade. Quem for visitá-lo nos dias de semana poderá
vê-lo examinando o parreiral, pé por pé, com o celular disponível para
consultas em “real time” com o agrônomo, tudo por whatsapp; quando sai, vai
muitas vezes em cursos e palestras oferecidos pelos fornecedores de
insumos que desembarcam em Louveira quase toda semana. Atílio não perde
uma só “aula”; é ávido por novos conhecimentos que costumam vir de técnicos e
vendedores de insumos da Du Pont, Bayer, BASF, Fmc, Simpcam URL, Singenta,
Technes, Adama, Agrichem, Rigrantec, e mais algumas linhas de adubação, como
Heringer, Nutisafra e Tera Ambiental.
Atílio e o pai, Odair
Conti, com 66 anos, e a mãe, Judite Biguetti Conti, também com 66 anos, tocam a
propriedade sem muito sacrifício. As dificuldades se resumem em conseguir mão
de obra para colheita: “Ainda esses dias combinei com oito pessoas para virem
ajudar na colheita do caqui e apareceu só uma. Ninguém mais quer pegar no
pesado”, reclama Atílio.
A comercialização é
fácil e rápida: “ Na hora de vender, é que percebemos a vantagem de estar entre
dois grandes pólos consumidores – São Paulo e Campinas. Por aqui, não há fruta
para quem quer”, afirma Atílio.
Atílio diz que não
houve crise para a fruticultura: “O preço dos insumos da uva subiu muito, mas
conseguimos vender toda a produção com bom lucro”.
Fornecem a uva e o caqui para
compradores fixos e recebem agora um dinheirinho “bem bom” da prefeitura pelo
Promif (dar link para texto explicativo). Atílio ainda tem tempo para praticar
seu esporte preferido (futebol) e cuidar de seu cavalo marchador.
Nas horas de folga, entra no Facebook e
posta coisas bem interessantes: fotos da movimentação do início da safra de
caqui, imagens de um trator em miniatura “arando” um minúsculo pedaço de terra,
como exemplos. A melhor postagem, recente, foi de um desenho da Marginal do
Tietê, em São Paulo, ladeada por imensos canteiros verdes, numa paisagem que
existe só na fantasia dos paulistanos. Atílio aplaudiu o comentário que
acompanhou o desenho: seriam assim as marginais paulistanas se valessem para as
cidades as mesmas normas ambientais que valem para a agricultura.