Ele nasceu dentro de um majestoso
cafezal da variedade Sumatra, totalmente florido, em Macucos, distrito de
Getulina, pequeno município, entre Lins e Marília, no interior do Estado de São
Paulo. Talvez seja por isso que, como jornalista profissional, tomou gosto pela
cobertura dos assuntos da agropecuária.
Em 1982, ano do Plano Cruzado, como
repórter do Jornal da Tarde, viajou mais de dez mil quilômetros, de carro, por
dentro de fazendas de gado, para descobrir o que havia acontecido com o “boi
gordo” que desaparecera dos frigoríficos e açougues impondo ao pais sua maior
crise de abastecimento de carne bovina da história.
Dirceu Pio conseguiu provar que o melhor
remédio para derrubar as grandes mentiras construídas pelo governo é o jornalismo
investigativo. O pecuarista não reteve boi gordo no pasto como brandia o
governo: com o poder aquisitivo subitamente elevado, a população comeu no
primeiro semestre toda a carne que serviria para formação do estoque regulador
no segundo semestre.
Dirceu Pio viveu 16 anos no Paraná de
onde partia para muitas missões investigativas, como aquela vez que conseguiu
provar, pelo jornal O Estado de São Paulo, uma das maiores fraudes do IBC,
extinto Instituto Brasileiro do Café, na compra de café de qualidade inferior a
preço de café de ótima qualidade. Para isso, Dirceu Pio levou 80 amostras de
café colhidas nos armazéns do IBC em Londrina para exame por empresa
especializada em Santos. Pio acompanhou os exames pessoalmente, durante mais de
vinte dias, e alem de constatar a fraude, ainda aprendeu a provar café. A
experiência lhe valeu como um curso de barista numa época em que ninguém
conhecia tal especialidade.
Mais tarde, como diretor da Agência
Estado, assumiu a coordenação de um produto informativo dirigido a agricultores
– o Agrocast – e sob a batuta do mestre Evaristo Miranda, da Embrapa,
acompanhou a criação de um sofisticado serviço de “probabilidade de chuva” que
serviu durante muito tempo de bússola para irrigantes e cooperativas agrícolas
de todo o país.
Dirceu Pio mora em Vinhedo (cidade
vizinha a Louveira), é casado, pai de quatro filhos e avô de três netas. Seu
esporte preferido é a bocha: conheceu Atílio César Conti na cancha de bocha da
Fazenda Barreiros, da família Mesquita,em Louveira. Foi ali, entre uma partida
e outra, que os dois arquitetaram o lançamento deste blog.

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